A contribuição do povo negro dentro do Rock

Desde Sister Rosetta Tharpe e seus riffs pesados que influenciaram Little Richard e Chuck Berry, a escola do blues foi fundamental para o que conhecemos como rock n roll e suas inúmeras variações.

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Comemorado anualmente no Brasil, em 13 de Julho, considerado o dia mundial do Rock, muito fala-se das personalidades consideradas lendas e precursoras do gênero. Sobretudo, pessoas brancas, personalidades entre bandas de todas e diferentes formações, recebem o protagonismo pelo gênero tão diverso.

Porém, muito antes de Elvis Presley, o gênero já era produzido por pessoas negras. O próprio Presley em todo seu destaque, mas privilegiado pelas gravadoras e naturalmente aceito pelos norte-americanos nos anos 50, declarou algumas vezes que – “O que eu faço não é nada novo: os negros cantam e dançam dessa forma há muito tempo“. Ainda assim, em um país racialmente segregado, não importava quem ou a qualidade do som, desde que quem o fizesse fosse branco. 

A escola do rock formou-se a partir de gêneros musicais originários da cultura negra, tendo o Blues como sua principal base, sem o Blues o Rock não existiria. Além disso, o Jazz, R&B e o Gospel norte-americano. Mesmo ainda havendo resistência em assumir que o gênero veio a partir de marcas profundas da escravidão e segregação racial, fatos no decorrer da história do gênero apontam suas origens. 

AS ORIGENS DO ROCK

O rock não existiria sem a contribuição de uma mulher negra, cristã, chamada Rosetta Nubin. Nascida em 1915 em meio às lavouras de algodão no Sul segregado dos Estados Unidos, na cidade de Cotton Plant, Arkansas – conhecida pelo nome artístico de Sister Rosetta Tharpe, foi a principal figura para o desenvolvimento do rock n roll entre as décadas de 1930 e 1940. 

“Strange Things Heppening Every Day”, lançada em 1944 e considerada como a primeira gravação da história do rock

A princípio, o uso da guitarra elétrica foi o diferencial de Tharpe, além de levar a guitarra para dentro da igreja, inovou usando diversos riffs e distorções pesadas em suas canções. Afinal, era muito difícil ver mulheres que sabiam tocar guitarra naquela época, quem dirá mulheres negras. 

Assim como Tharpe, outras mulheres sofreram com o apagamento de suas histórias dentro do gênero que futuramente se tornaria conhecido como Rock. São elas:  LaVern Baker e Big Mama Thornton.

Ambas tiveram grande influência na década de 50, e tiveram muitas vezes suas músicas roubadas por artistas brancos que usavam suas letras sem a devida permissão. Infelizmente, essa ação era comum naquela época. Dessa forma, artistas brancos gravavam os sucessos de artistas negros e levavam todo o crédito pela arte e criatividade de mulheres como LaVern Baker e Big Mama Thornton. 

Além disso, brancos fizeram fortunas e levaram o crédito por canções consideradas hinos em cima de todo trabalho de pessoas negras. Assim foi o caso de “Hound Dog” (1952), canção de Big Mama Thornton regravada por Elvis Presley em 1956. A versão de Elvis foi um sucesso, o que rendeu milhares de dólares, enquanto Big Mama Thornton não receberá metade pelo trabalho.

 Big Mama Thornton apresentando “Hound Dog” em 1965

A versão original de Big Mama Thornton é uma explosão, sua gaita parecia ter vida própria e sua voz era forte, potente, capaz de deixar qualquer um sem chão.

Resquícios de todo esse apagamento contribuíram muito para o pensamento de que o rock não fosse um gênero que pertencesse ao povo negro, mas o rock é negro desde sua criação. Meu intuito foi dar o protagonismo às mulheres, mas outros artistas também foram pioneiros no gênero, entre eles estão: Chuck Berry, Little Richard, Fats Domino, Bo Diddley, The Isley Brothers  – artistas essenciais para o futuro desenvolvimento e andamento do Rock.

Mesmo com a avalanche do mainstream, a representatividade negra dentro do rock e seus subgêneros não parou nas últimas décadas. Como resultado, eles estão presentes no Hardcore, Punk, Metal, Hard Rock, Indie, Rock Psicodélico, entre tantos, selecionamos alguns para você conhecer e ouvir.

Punk Rock – Anos 70

ROCK
Death | Divulgação

Direto de Detroit, Death é uma banda Punk, formada em 1971 pelos irmãos Bobby, David e Dannis Hackney. A agressividade no som lhes renderam o título de pioneiros no gênero. A princípio, a história dessa banda que para muitos é a primeira banda Punk da história é contada no documentário A Band Called Death.

Hardcore – Anos 80

ROCK
Bad Brains | Reprodução

Formada em Washington, DC, em 1977, a banda Bad Brains foi uma das primeiras a passar do Punk para o Hardcore. Além disso, eles foram uma das bandas mais influentes de toda a cena do Rock durante a década de 80. Como resultado da fusão com o reggae em seu som pesado, tornaram sua música única e original. 

Metal, Hard Rock – Anos 90 

Rock
Living Colour | Mick Hutson/Redferns

O Living Colour inovou em seu som Hard Rock e Metal, trazendo elementos do funk, jazz e hip hop. Assim, tornando-se uma das mais importantes referências da década. A banda formada por Vernon Reid, Corey Glover, William Calhoun e Doug Wimbish, em suas músicas eles abordam comentários sociais, temas políticos e raciais. 

Diversas dessas bandas e artistas, além de artistas nacionais, estão presentes na playlist “Rock Preto”, uma curadoria feita pelo músico Daniel Avelar.

CONFIRA!


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