ENTREVISTA: Conheça a banda Mokshers

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Fundada em São Paulo, a Mokshers é formada por Marcus (guitarra e vocal), Lucas (baixo) e Paulo Tavares (Bateria).

Em entrevista ao Gramofone Ativo, o trio falou sobre o início da carreira, suas experiências, o impacto da pandemia e muito mais.  

Onde tudo começou? Como surgiu a ideia de criar a Mokshers?

Nosso começo foi muito natural. Nós estudávamos na mesma escola de música, já éramos amigos a muitos anos, já existia uma certa intenção de fazer algo com música. 

O Lucas (baixista) optou ir para o baixo, então pela lógica, eu (Marcus) já era guitarra. Nós já tínhamos 70% da Mokshers, então foi mais ou menos dessa maneira que a gente começou, de maneira muito natural.

A nossa amizade sempre teve um foco na música, porque a gente sempre teve muita identidade com isso. A gente sempre ia em shows desde adolescentes, então era uma coisa que já estava na nossa vida.

 De onde veio o amor pela música?

O amor pela música foi uma coisa muito espontânea, uma coisa que foi se desenvolvendo desde a infância, entre nós na banda e também um com o outro.

Um que conhece algo e mostra para o outro, e começa a se desenvolver uma afinidade em conjunto. E a partir do momento que passa a ter a sua personalidade, tudo o que você faz, sua vida está sempre acompanhada por uma trilha sonora, isso passa realmente a incorporar a sua personalidade.

Como são feitas as gravações dos clipes? E como escolhem os locais?

É algo meio doido, porque é tudo muito misturado. Muita coisa nós providenciamos. Tudo dos clipes lançados até hoje, toda a logística, escolha de local, figurino, tudo foi 100% a banda. A produtora entra na parte relacionada ao roteiro, sobre que tipo de take vai fazer, drone, mas todo o resto é a Mokshers mesmo que faz.

É legal pra caramba, mas é uma coisa extremamente trabalhosa, acho que talvez seja a etapa mais trabalhosa de tudo o que tem para fazer em uma banda, mas o resultado final sempre é muito interessante, porque é muito legal ver o resultado final.  

Porém, os clipes atualmente estão com uma sintonia um pouco diferente. Estamos com uma produtora maior, que trabalha com alguns artistas grandes e internacionais, então a gente só entra realmente com o conceito, com a ideia, porque toda a logística, tudo é feito pela produtora.

Mokshers
Mokshers – Foto por Isabelle Andrade

Quais são as referências musicais de vocês?

Em relação ao gênero, a Mokshers se considera uma banda de Rock. Nós não gostamos de taxar subgêneros na nossa música. Por mais que isso seja um pouco inevitável, a partir do momento que você começa a se popularizar isso acontece, tanto por parte do público como pela mídia.  

Temos muita influência de bandas de Blues, bandas de rock tradicional, Aerosmith, Led Zeppelin, Whitesnake, Van Halen. 

Duas bandas dessa década que a gente gosta muito é Winery Dogs, que é um projeto do Richie Kotzen. Billy Sheehan do Mr. Big e Mike Portnoy que foi do Dream Theater, Reckless Love que é uma banda finlandesa legal pra caramba. Dessa geração mais atual, um pouco mais Indie, a gente gosta de Arctic Monkeys. 

Nós nos consideramos realmente uma banda de Rock. Não nos enxergamos dentro de nenhum desses subgêneros necessariamente, até porque não temos uma característica de som baseada em nenhuma banda, ou em nenhuma década. 

O que também as vezes é um pouco frequente no Rock, então você vai chegar e falar assim: “Ah, essa banda é uma banda de rock oitentista ou essa banda é estilo grunge”, algo do tipo. Nós temos influência de tudo, porque gostamos realmente de Rock. 

A Mokshers adora grunge, nós gostamos de Hard Rock, Heavy Metal, especialmente o mais tradicional. Black Sabbath, Judas Priest, Iron Maiden, Angra, mas a gente não se norteia nisso em relação a nossa composição e sonoridade. 

Não existe uma busca de cantar do jeito de um vocalista específico ou de ter o timbre de guitarra do guitarrista Y. O nosso som, nós realmente fazemos as composições com o que vem na cabeça, com o que vem no sentimento e tenta ser o mais espontâneo possível.

Tanto que essas próprias comparações que vem do público, vem algumas coisas de: “Ai, isso me lembra tal coisa”, quando a gente recebe feedback ou elogio, eles são mais diretos em relação ao nosso som mesmo. Não recebemos muito esse tipo de feedback: “Nossa, mas esse som de vocês é a cara do Led Zeppelin” ou “Nossa, esse solo aqui me lembrou tal guitarrista”. 

Então, acho que tem um pouco a ver com realmente a gente se ver muito livre em relação a maneira de compor.

Como foi a experiência de quando Judas Priest repostou um cover de vocês?

Essa repostagem do Judas Priest foi uma coisa muito engraçada. Hoje, nas redes sociais, você vai postar alguma coisa, você simplesmente coloca o @ do perfil e isso acontece sem nenhuma expectativa de ter repostagem. Você simplesmente coloca para identificar. 

Por exemplo, estou tocando a música do artista tal, vou colocar a referência. Às vezes até o público faz isso, porque aquela determinada música pode ser muito famosa, e você pode estar sendo assistido por alguém muito jovem e que está em formação musical ou realmente alguém que não é do gênero, que conhece a música, gosta, mas não sabe de quem é. 

E acontece de você reproduzir essas referências e aí eles repostaram. Foi um negócio totalmente inesperado porque foi em um show, nós postamos meio que na hora e no próprio dia a gente olhou e falou: “Nossa, que coisa doida, animal!”. 

Ah, foi muito legal, é uma baita vitrine pra Mokshers e isso aconteceu mais de uma vez com Judas Priest. Eu (Marcus) fiz um improviso que até está no nosso feed, de guitarra, e o Richie Faulkner que é o guitarrista do Judas Priest repostou também no story dele. Então, foi um negócio sensacional, é muito gratificante, é uma sensação totalmente inesperada, é meio mágico.

Como a pandemia afetou a atividade da banda? Como tem sido os ensaios durante esse período?

A Mokshers tem esse foco de ser uma banda de palco mesmo. Uma banda de shows, achamos que a banda tem que estar no palco, é um entendimento nosso que banda tem que tocar.

Então, a gente estava fazendo muito show, e isso afetou muito a rotina. Os ensaios acabaram dando uma congelada, porque você sem perspectiva de show, você faz um ensaio ou outro para se manter em forma, mas se não tem show para alinhar, você não tem setlist para se programar. 

Então, isso afeta muito. Em relação a pandemia, ficou tudo muito parado, mas começamos a nos direcionar a outros projetos, que são os clipes que iremos lançar. Vamos deixar quatro ou cinco clipes prontos para a retomada e um projeto relacionado a guitarra. Assim que as coisas voltarem ao normal, já teremos material.  

Qual a maior dificuldade em conquistar mais público?

Acho que o maior problema relacionado a situação em conseguir um novo público, é que hoje em dia, existem muitos canais de divulgação. E artistas independentes no início vão estar sozinhos, é muita informação e isso dilui demais o interesse.

Então, acontece que algumas bandas vão preferir investir no YouTube, outras bandas vão preferir investir no Instagram, outras bandas ainda vão usar o Facebook, outras bandas já irão fazer uso de TikTok. Cada artista vai achar que aquele é o ponto para ser direcionado, ainda tem as plataformas de streaming, Deezer e Spotify.

O grande ponto é que, no fundo, todas essas opções são importantes, inclusive as antigas, que já existiam antes, que são as rádios, tv e a mídia tradicional. Querendo ou não, o que pode ainda te dar um grande alcance de início, ainda são as mídias tradicionais, especialmente falando de música e do rock.

O interesse é no seu produto, o seu produto é a sua música, então você não vai ter muito elemento para necessariamente falar assim: “Ah, vou viralizar com um vídeo”, porque as bandas não são youtubers, é diferente a música de conteúdo. 

Hoje, nas mídias tradicionais a coisa também está diluída, porque como eles tem muita concorrência das mídias que não são tão tradicionais, porque querendo ou não, YouTube, Spotify, Deezer, Instagram, TikTok, tudo isso exercem concorrência sob as mídias tradicionais, que são as rádios, a tv e etc. 

Logo, essas mídias tradicionais ficam ainda mais dependentes de só rodarem grandes artistas que já são consagrados, porque eles precisam da audiência, então eles não têm muita margem para arriscar na revelação de um novo artista, porque o mercado ficou muito agressivo para eles também. 

Acho que nesse meio tempo, o artista novo fica com muita dificuldade de se encontrar e acaba às vezes não sabendo em que alvo mirar, ele erra, ele faz ações que não dão retorno nenhum. Acho que isso perde o ponto principal da coisa.

Muitas vezes você está com tanta preocupação de divulgação, que você perde o ponto principal, que o ponto é assim, você precisa chegar na pessoa. É literalmente chegar na pessoa, porque de alguma maneira, o seu som precisa chegar para as pessoas. Então, não adianta, você pode ter um vídeo sensacional em uma plataforma, se você não chegar na pessoa, aquilo não vai ter eficácia nenhuma.

CONHEÇA

@Mokshers

O single mais recente da banda é a “This Blues Is For You”, confira!


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